Posts publicados em March, 2008

Campus Party e a contemplação do teto

Há um mês atrás eu estava deixando São Paulo após acampar na Campus Party Brasil durante o evento que felizmente coincidiu com meu período de férias na empresa.

E enfim, atendendo a pedidos — mesmo que com leve atraso — resolvi compartilhar o que raios fui fazer lá.

Vai soar paradoxal para alguns, mas a real é que não fui na Campus Party buscando encontrar com um grupo específico de pessoas, nem aprender uma tecnologia XPTO nas oficinas, nem ampliar networking.

O que eu buscava mesmo era uma espécie de isolamento dos outros contextos de vida, que acabam ocupando tanto espaço a ponto de esmagar pequenos prazeres como zapear por todos os feeds não-lidos, ler todas as mensagens das listas de discussão e poder responder no timing, testar novos e nem-tão-novos serviços web, compartilhar no blog coisas que pareçam úteis aos amigos e colegas, baixar e testar muitos freewares só pra saber o que fazem, programar aquele sisteminha com timelines para organizar as disciplinas e pré-requisitos da faculdade, atualizar as versões de softwares do servidor sem que as coisas parem de funcionar, e muito muito mais.

Essas atividades acabam sem espaço nos dias normais lotados por loops de {emprego} {faculdade} {família} {empresa} {freelas} {homework} {4h.de.sono}, e a cparty foi uma oportunidade de inverter essas prioridades.

Aproveitei o tempo para programar coisas que eu queria ao invés daquelas que queriam que eu fizesse, ler o que me interessava e não o que um professor ou um projeto exigia, assistir cursos de programação de robôs, Ruby on Rails e Google Gadgets apenas porque eram assuntos interessantes e não porque tinha obrigação de aprender para executar algo, e principalmente aproveitei para avaliar alguns caminhos e decisões da minha vida on-line e off-line. Para não perder tempo com atividades menos úteis como dormir, passei praticamente todas as noites em claro juntamente com uma multidão que curtia as madrugadas jogando, baixando e assistindo filmes, agitando campanhas via livestreams, twittando e conversando ao som de muito rock, tecno até algum axé.

Usei e gastei meu tempo como queria, fazendo coisas que o ritmo de vida não permite — e isso inclui ficar parado olhando pro teto pensando na vida!

Vou tentar participar da próxima Campus Party, provavelmente com objetivos diferentes e talvez até um approach menos anti-social :) mas por enquanto tenho que por em prática uma das decisões que emergiram da contemplação do teto: não congelar o Gotas, como estava prestes a fazer. Acredito que o blog vale o esforço extra e pode ser útil ao povo que -mesmo eventualmente- me acompanha na rede e fora dela. Espero acertar o passo e conto sempre com o feedback de todos.